segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Barómetro do Amor

Estava ao telefone com o meu namorado quando ele me diz: “a junção de todas as coisas de que gosto não faz sombra ao que gosto de ti”.
Tive um momento de epifania, de repente o mundo era um lugar muito mais bonito, começou a tocar a Always dos Bon Jovi misturada com a marcha nupcial, surgiram arcos-íris no céu, gomas saltavam deliciosamente pelas ruas, o mar tinha ondas de 30 metros de ovos-moles, a Massimo Dutti estava em saldos, o Benfica sagrava-se campeão europeu no estádio do Dragão.
Não estava à espera de tal declaração. Mas depois comecei a matutar. A dúvida insidiosa, inimiga mortal de todos os apaixonados deste mundo e do outro, que prometia deitar por terra o barómetro do amor, tão delicadamente construído pelo meu mais-que-tudo: a dimensão da declaração só tem significado se ele, de facto, gostar de muitas coisas. O que não sei bem se é o caso porque ele não é de comentários arrebatados sobre o que gosta ou deixa de gostar.
Vou obriga-lo a fazer uma lista de todas as coisas de que gosta, corpóreas, incorpóreas, móveis, imóveis, fungíveis e infungíveis, divisíveis e indivisíveis, consumíveis e inconsumíveis, colectivas, unitárias e compostas, uteis, necessárias, acessórias e principais. 

sábado, 12 de novembro de 2011

O Segredo

O meu prezado amigo John Terry (sim, é mesmo o central do Chelsea) dizia-me ontem, depois de muito deitar conversa fora, que a seguinte frase encerra o segredo da vida: “Meu Deus, dá-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar o que está ao meu alcance e sabedoria para que eu saiba a diferença”
Como não conhecia a frase fui pesquisar na net e descobri que é uma oração utilizada frequentemente nos grupos de Alcoólicos Anónimos. Penso que será este o facto que impedirá a Rhonda Byrne de editar “O Segredo” volume II. Provavelmente o mundo não está preparado para acatar ensinamentos casualmente relacionados com bêbados, embora toda a gente saiba que in vino veritas.

Mundo Cyborg

O rinoceronte negro da Africa Ocidental foi, ontem, declarado extinto e o rinoceronte branco da Africa Central possivelmente extinto na natureza.
A União Mundial para a Conservação aponta como causas o tráfico ilegal de chifres e a falta de medidas de apoio à conservação da espécie.
Esta notícia deixou-me lugubremente pensativa. É certo que nunca fiz nada para ajudar nenhuma espécie de rinoceronte mas sinto-me revoltada, triste e com a certeza de que o mundo ficou mais pobre.
Subjugámos a natureza e agora não conseguimos provar a nossa superioridade para travar um processo de extinção que começámos e pelo qual somos inteiramente responsáveis. Apesar da divulgação e tentativa de evangelização nas correntes ecológicas de ética ambiental, de algumas medidas de protecção jurídica e do avanço da tecnociência não conseguimos parar uma rápida e irreversível extinção de algumas espécies.  
A sobrevivência das espécies está tristemente dependente da sua utilidade para o homem. Um rinoceronte não nos serve para nada. Não precisamos deles para nos alimentar, vestir ou para o que quer que seja. Eventualmente servem para entreter e divertir uns quantos caçadores de troféus.
Supostamente o que nos distingue dos restantes animais é a capacidade de generalizar uma ideia do Bem. Não tenho certeza disso. Os nossos valores éticos e morais são fruto do nosso intelecto, construções filosóficas, metafísicas e bafientas que não conseguimos transpor para a prática. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A minha mãe queixou-se, hoje de manhã, que eu deixo o tampo da sanita fechado durante a noite e que nunca o fecho durante o dia (o que é uma mentira descarada!). Disse-me, indignada, que durante a noite vai à casa de banho às escuras e que senta sempre o rabo no tampo frio da sanita. Com ar professoral exigiu que fechasse o tampo durante o dia mas que nunca mais tivesse o capricho de o fazer de noite!
“I find the key is to think of a day as units of time, each unit consisting of no more than thirty minutes. Full hours can be a little bit intimidating and most activities take about half an hour. Taking a bath: one unit, watching countdown: one unit, web-based research: two units, exercising: three units, having my hair carefully disheveled: four units. It's amazing how the day fills up, and I often wonder, to be absolutely honest, if I'd ever have time for a job; how do people cram them in?”
O Hugh Grant descreve, assim, no filme “About a boy” a sua forma de contar o tempo de cada dia. Basicamente o dia é dividido em unidades de conta e cada actividade tem associado um número de unidades de tempo que é despendido na sua execução. Chega, rapidamente, à conclusão que estas actividades rotineiras lhe consomem todo o dia e que não teria tempo para ter um emprego.
O meu namorado, atravancado num sem-número de actividades diárias, e após um breve momento de introspecção que o dia lhe permitiu, desabafou-me divertido que o Hugh Grant tem imensa razão. Com o trabalho, o mestrado, a responsabilidade de manter uma namorada e família felizes, o exercício físico, as refeições e uns minutos de lazer só consegue fazer cocó à 1 da manhã.

Sou uma fã incondicional de robes. Não é de roupões que até podem ser a mesma coisa mas soam-me a uma toalha de vestir após o banho. Eu gosto dos robes. Têm um não sei quê de chique (deve ser do galicismo) e oferecem um conforto, aconchego e uma aparência de erudição (sim, porque ler um livro com robe vestido dá logo um ar de sofisticação erudita) pouco comuns numa uma peça de vestuário para usar in doors

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Legend



Sempre que vejo este vídeo sinto uma súbita boa disposição. Consegue, imediatamente, elevar-me o espírito e arrancar-me sorrisos invejosos.
Apesar de crer que é (e sempre será) o melhor jogador de futebol de todos os tempos, o que me encanta neste vídeo não é tanto a habilidade no controlo da bola mas intuir uma confiança infantil, desprovida de vaidade e de aprovação exterior.
Quem não gostaria de, pelo menos uma vez, correr pela vida fora, com os atacadores desatados,certo das suas aptidões e talentos, com o desprendimento cool de quem se está a borrifar para as convenções?