Estava ao telefone com o meu namorado quando ele me diz: “a junção de todas as coisas de que gosto não faz sombra ao que gosto de ti”.
Tive um momento de epifania, de repente o mundo era um lugar muito mais bonito, começou a tocar a Always dos Bon Jovi misturada com a marcha nupcial, surgiram arcos-íris no céu, gomas saltavam deliciosamente pelas ruas, o mar tinha ondas de 30 metros de ovos-moles, a Massimo Dutti estava em saldos, o Benfica sagrava-se campeão europeu no estádio do Dragão.
Não estava à espera de tal declaração. Mas depois comecei a matutar. A dúvida insidiosa, inimiga mortal de todos os apaixonados deste mundo e do outro, que prometia deitar por terra o barómetro do amor, tão delicadamente construído pelo meu mais-que-tudo: a dimensão da declaração só tem significado se ele, de facto, gostar de muitas coisas. O que não sei bem se é o caso porque ele não é de comentários arrebatados sobre o que gosta ou deixa de gostar.
Vou obriga-lo a fazer uma lista de todas as coisas de que gosta, corpóreas, incorpóreas, móveis, imóveis, fungíveis e infungíveis, divisíveis e indivisíveis, consumíveis e inconsumíveis, colectivas, unitárias e compostas, uteis, necessárias, acessórias e principais.
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